Posts Tagged‘Poesia’

A menina de 200 anos (Mírian Monte)

Ah, Terra da liberdade, Tens tanta história, E tão pouca idade… Teus Duzentos anos Mereciam ser contados Por um grande alagoano, Como Jorge de Lima, Théo Brandão, Graciliano Ramos. Ah, Terra de Guerreiros… De ti, partiu o grito de Zumbi, No quilombo dos palmares, Exigindo dignidade, Igualdade entre os humanos. E à sombra dos teus coqueirais Descansaram os Marechais, De ideais republicanos. Ah, Nação Caeté, Deixaste de herança, No sangue de tuas crianças, A cultura de não se curvar. Ah, Terra de Calabar, Tens sabor de sal e açúcar És berço de muitas lutas, De quem enfrenta a labuta Em…

Só Encontrarei em Alagoas (Mírian Monte)

Sua bênção pai, sua bênção mãe, Mas vou seguir a minha estrada Não se preocupem, que não haverá riscos, nem razão para tantos “ais”. E se lágrimas caírem dos meus olhos, evaporarão nas dunas, de Piaçabuçu, onde o Velho Chico resolveu estabelecer a sua foz, ou me inspirarei na coragem do povo do sertão, que aprendeu com Lampião, a ter sua valentia. E no cânion do Xingó, avistando Piranhas, tirarei das entranhas a minha máxima ousadia. A verdade é que nem a saudade, na garganta, deixará um nó. Seguirei, sim, para Maceió, onde a vida, certamente, há de ser muito…

Poesia: Soneto da Embriaguez (Mírian Monte)

A inspiração me abandonou, nos últimos dias. Precisei buscar um poema adormecido nos meus arquivos soltos, loucos, espalhados em tablets, computadores, caderninhos escondidos pela casa. Será que aquele papel foi para o lixo? Não tem caneta pela casa? Preciso de um tema, de um tempo, de um sentido… Na realidade, preciso perder todos os sentidos… Preciso me organizar, para desorganizar as ideias. Talvez assim surja um poema. Preciso de um porre de poesia Soneto da Embriaguez Há quem beba para se libertar – eu escrevo. Exponho sentimentos, pensamentos, poesia; Dessa forma eu me entrego, eu me enxergo E me embriago…

Poesia: A Mariposa (Mírian Monte)

Para que mariposas ou borboletas com almas de mariposas nunca deixem de bater asas! A mariposa Quem nunca viu, num poema, levantar voo uma borboleta sequer!? Vinícius, Quintana, Lispector, vez ou outra, falavam, em seus versos, como a alada criatura é: transitando entre amores, em jardins de flores, abrandando as dores de um coração qualquer.  Suas cores, leveza, delicadeza, combinam com lindas paisagens, valsas e histórias de princesas. Com sua presença, ninguém se incomoda e, se gente fosse, seria a namoradinha perfeita! Ah, como é encantadora essa linda borboleta!! Calma, contida, protegida num jardim de margaridas, batendo asinhas, sob a…

Poesia: Helena (Mírian Monte)

E essa terminei de escrever chorando… Helena Eu quis um tema, Um novo poema Pedi aos céus, aos anjos, Aos santos, Implorei; E surgiu teu rosto, Helena, A filha que não tive – E não terei. Teu nome era a canção Que ouvia na infância Era inspiração, Era a esperança Em cada choro de criança, Que nos braços não trarei Embalastes meus sonhos Na canção que ecoou… Terias olhos azuis, Helena? Por que tu és a verbena, que murchou? Sabes, Helena, Pensei nas bonecas, – Que terias- Em cada noite, Em cada dia… No meu ventre Encontrarias Aconchego, Calmaria… Sabes,…

Poesia: Oceano (Mírian Monte)

Enigmática como o oceano, uma das minhas mais novas poesias. Oceano Queres o oceano? Não te enganes: Ninguém o domina Sabes o azul cativante? Ora é transparente, Ora é cinza. Debaixo da maré morta Há correntes indecisas, Ondas muito revoltas, Um balançar que hipnotiza. Há naufrágios esquecidos E Paixões adormecidas Há viagens, há encontros Travessias, despedidas. Pode ser estudado, Pode deixar-se navegar, Mas uma vez desafiado, Sua fúria surgirá. Não te enganes: Ninguém o domina Sabes o azul cativante? Ora é transparente, Ora é cinza. Desvendar seus mistérios Todo pescador assim deseja E se lhe forem devotos Peixes chegarão à…

Poesia: Fuxico (Mírian Monte)

E essa poesia nasceu em meio a canções nordestinas e a tradição desse povo maravilhoso! Fuxico? Só se for de pano… Fuxico Não venha fuxicar Que o rapaz não sabe trabalhar E “ela só quer, só pensa em namorar” Que a beata esqueceu do terço rezar E o padre foi embora, Sem ninguém abençoar. Não me venha fazer fuxico Que fulano deixou de ser rico Que sicrano só olha o seu umbigo Que beltrano não serve para amigo Isso nada tem a ver comigo Pegue suas contas pra pagar. Fuxico só se for de pano De estampas coloridas Que serve…