Resenha: 15 Dias para Viver de Francy Lima

Erótico. A obra é envolvente, sensualidade na dose certa, uma história incômoda que desperta no leitor um senso urgente de mudança. Ela descreve a realidade de muitas mulheres e deixa a gente com uma pulguinha atrás da orelha.

E se um homem que você conhece numa sala de bate papo virtual só precisasse de 15 dias para revirar sua vida de pernas pro ar? E se esse homem tivesse tantos mistérios que você ficasse ao mesmo tempo assustada e apaixonada? Esse homem apareceu na vida de Morgana, uma mulher de família tradicional e religiosa, que levava uma rotina simples e pacata no interior do Ceará. Casada a 22 anos com Fernando, um homem conservador e retraído, mãe de dois filhos adolescentes, presa à padrões sociais e religiosos, Morgana se vê dividida entre o que sempre acreditou e entre a perspectiva de novas descobertas pessoais, amorosas e sexuais. Mas ela tem que escolher entre salvar seu casamento, honrar a memória da mãe falecida a 5 anos, de quem recebeu os melhores conselhos e exemplos de fidelidade e respeito, ou aventurar-se numa história de paixão e ousadia com o homem que lhe faz sentir plena e realizada em todas as suas vontades de mulher. O que Morgana não esperava era que em meio às suas dúvidas e descobertas fosse surgir Luiza, uma mulher que colocaria em risco toda a sua história com Caíque. O romance é contado a partir de uma linguagem simples, bem- humorada, repleta de expressões regionalistas, música, paixão, polêmica, discussão social e personagens inusitados.

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Resenha

Existem livros que nos identificamos tanto com um personagem que parece que o autor descreveu a gente, né? Foi exatamente assim que me senti em relação a Morgana. Somos muito parecidas em diversas coisas, porém existe uma diferença entre nós: não me deixo prender por causa da imposição de ninguém.

Morgana é uma mulher de 42 anos, casada há 22 com um homem completamente incompatível. Mãe de dois filhos e com um marido que acredita que seu único dever como homem é colocar a comida na mesa, ela se sente invisível dentro de sua própria casa. Dividindo seu tempo entre os servições domésticos, as “obrigações” de mãe, o trabalho como professora e afazeres na igreja, ela foi empurrando a situação com a barriga por muito tempo e tornou-se uma mulher infeliz, insatisfeita e presa numa vida que não é bem a que ela queria viver.

Morgana tem muitos sonhos. Ela quer viajar pelo mundo, ser uma escritora de sucesso, dar uma vida melhor pra sua família e ter muitos leitores. Fernando, o marido, acredita que sonho não é coisa pra adulto e que a vidinha que eles levam no interior está muito boa. Ele não apoia a mulher, não incentiva seus desejos e ainda a critica por ser assim. Tudo o que Morgana desejava era que aquele homem, o seu príncipe encantado, sonhasse junto com ela e juntos realizassem esses sonhos. A realidade não era essa e ela já não suportava mais isso.

Toda quarta feira, nossa mocinha viajava 150 km até Fortaleza para fazer um curso de dança. Essa era sua válvula de escape e numa dessas idas, entediada, resolveu seguir o conselho de uma sobrinha e entrou numa sala de bate papo. Lá ela conhece Caíque, um moreno baiano que revirou a vidinha insossa da professora pelo avesso.

Ambientada no nordeste (amei isso!), a leitura é cheia de regionalismo e vocabulário próprio. Não se preocupe, a autora colocou um “dicionário nordestês” pra explicar o significado de tudo. Além de conhecer uma história incrível, vai aprender palavras novas!

Não pense que essa é uma história bobinha. 15 dias para viver tem uma boa dose de polêmica e pode incomodar grandemente algumas pessoas. A autora aborda diversos temas que são tabus (daqueles cabeludos mesmo) em nossa sociedade e o intuito não é constranger o leitor e sim os fazer pensar. Refletir sobre situações que qualquer um pode protagonizar. No decorrer da leitura você vai encontrar temas como adultério, liberdade sexual, empoderamento, religiosidade, preconceito, imposições em nome de uma fé cega, dentre outros.

Em diversos momentos me vi em conflito com a leitura. Eu não sou a favor de traição e acredito que Morgana poderia ter tomado outras atitudes, porém, em momento algum julguei as decisões dela. Cada um sabe onde seu calo aperta e ninguém tem o direito de falar o que o outro deve ou não fazer. Fiquei em conflito com as minhas convicções e isso foi um ponto positivo para o livro, porque acredito que esse era realmente o intuito da autora, fazer o leitor refletir e se colocar no lugar da personagem para se perguntar “o que eu faria se estivesse no lugar dela?”. 

O crescimento de Morgana foi lindo de ver. Senti como se estivesse assistindo ao ciclo de uma lagarta se transformando em borboleta e alçando seu primeiro voo. Houve vários momentos que senti vontade de entrar no livro para chacoalhar Morgana, quis dar um chute na bunda do Fernando e estapear a cara de Joice! Várias emoções no decorrer da leitura!

A escrita da Francy é muito gostosa. Ela envolve o leitor com uma narrativa fluida, instigante e com uma dose deliciosa de erotismo. Nada de cenas de sexo hiperdescritivas. Tudo casa perfeitamente como uma bela melodia. Aliás, melodia é o que não falta na obra! A playlist selecionada pela autora é uma delicinha à parte e casa muito bem com cada capítulo.

A obra é envolvente, com sensualidade na dose certa, uma história incômoda que desperta no leitor um senso urgente de mudança. Ela descreve a realidade de muitas mulheres e deixa a gente com uma pulguinha atrás da orelha. No final do livro eu quase gritei um “uhull”, vibrando por mais uma mulher que descobriu que somos mais do que suficientes para nós mesmas e que nossa felicidade não está nas mãos de um homem.

Livro mais do que recomendado! 

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