Resenha: Tudo Pelos Ares de José Nivaldo Junior

Noir. Um homem que sempre teve tudo sob controle, de repente se vê com tudo pelos ares!

“Tudo pelos ares – amor e cólera em tempos de Lava Jato” (Bagaço), do escritor José Nivaldo Jr, é um romance ambientado em um cenário contemporâneo de delações, crimes financeiros, com todos os condimentos necessários para torná-lo uma obra de impacto entre o público leitor. A trilogia amor-paixão-sexo vivenciado pelos personagens Tino, JB e Elisa arquiteta uma trama de mistério, suspense e violência. O inexplicável assassinato da figura central do triângulo amoroso, a belíssima Elisa, desencadeia todo um conjunto de ações que mantêm a curiosidade do leitor conectado ao romance até seus últimos capítulos.

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Resenha

“Tudo Pelos Ares”, apesar de um pouco diferenciada, se caracteriza como literatura noir. Um romance ambientado num cenário contemporâneo de delações e crimes financeiros que ocorrem no mundo dos negócios e do poder. Leitura rápida e satisfatória. Uma boa escolha para descontrair-se num final de tarde. O autor, José Nivaldo Junior, é mais conhecido por seu best-seller “Maquiavel, O Poder”, mas possui também outros romances.

A narrativa é em terceira pessoa e nosso protagonista é João Batista (vulgo JB). Ele possui uma vida dupla, dividindo-se entre um cidadão imaculável e um criminoso talentosíssimo. Apesar de ser um cara altamente planejador, não permaneceu imune aos acontecimentos imprevisíveis (que mudaram sua vida para sempre).

Confesso que não me interessei de primeiro momento em ler o livro porque a capa não me chamou a atenção (apesar de gostar da temática). Sim, julguei o livro pela capa (risos). Mas quem nunca, né? Todavia, o autor soube desenvolver uma história sucinta e “costuradinha”. Sem rodeios e enrolações, direto ao ponto sem perder detalhes. Desenvolveu personagens interessantes que estão conectados ao assassinato desencadeador de toda a trama (cujo seu desvendamento mantém a curiosidade do leitor até os últimos capítulos).

Se o autor quis passar alguma mensagem através desse livro, acredito que seja:

  1. Querendo ou não, os políticos são guardiões da pátria. Sua desmoralização quebra a capacidade de resistência do País. A democracia tem seus custos.
  2. O que é ruim de verdade, praticar o mal ou ser apanhado? Regenerar depois de pilhado, preso, condenado é algo legitimo e merece credibilidade? “A verdade liberta” é um belo ensinamento espiritual, mas mundo real é diferente. A verdade não só prende como condena. O que liberta, às vezes, é a mentira.
  3. Uma conversa casual muitas vezes revela detalhes muito além do que se pretendia. Apesar disso, cada pessoa assume um perfil completamente diverso frente circunstâncias diferentes. No fim, ninguém conhece ninguém.
  4. A eternidade é feita de instantes, e cada instante que vivemos vale por toda a eternidade. A vida é uma caixinha de surpresas, planos são meras idealizações. O imprevisível e o imponderável conseguem burlar os enredos da vida elaborados por todos os que imaginam ter o condão de traçar o seu próprio destino. Ninguém está imune.
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