Resenha: É Inverno de Cecília Mouta

Ficção/Fantasia. Cecília Mouta conseguiu criar uma história muito tocante. Abordando temas como amizade, luto, escolhas difíceis, amadurecimento e a importância de viver o presente, a autora leva o leitor a pensar e repensar diversas vezes sobre como estamos agindo diante das situações da vida.

Izzy é fascinada pela neve, o inverno é sua estação do ano preferida. Todos os dias, na escola, ela se diverte com seus melhores amigos: Lil, Sam e Mat. Porém, Lil sofre de pesadelos e toda vez que os tem, algo ruim acontece em seguida.
Naquele ano o inverno estava diferente, intenso. E, certo dia, Lil tem um pesadelo que muda completamente a vida dos quatro amigos. Os episódios seguintes levam o leitor a viver momentos emocionantes nas descobertas que Izzy faz sobre a própria vida. Até que chega o momento crucial em que ela tem que fazer uma escolha que poderá colocar um ponto final em toda a sua história até ali, inclusive na amizade com sua melhor amiga Lil.

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Resenha

Fico extremamente bolada quando termino uma leitura que me deixa com sentimentos controversos e confusos. É sempre muito complicado escrever uma resenha e passar meus reais sentimentos com a leitura quando isso acontece. As palavras fogem e fico horas sentada diante do computador, olhando para o livro e pensando no que escrever. “É inverno” fez isso comigo e estou aqui, há horas, tentando escrever um mísero parágrafo e não consigo.

A agência literária Oasys entrou em contato comigo para apresentar o livro e me interessei bastante pela sinopse do mesmo. Sou apaixonada pelo inverno e, ao ler a sinopse, senti um clima meio que sobrenatural na trama, então resolvi aceitá-lo para ler e resenhar. A leitura conseguiu me surpreender e também decepcionar.

Não estou dizendo que a leitura foi ruim, estou apenas dizendo que algumas coisas me incomodaram um pouco. Antes de comentar sobre os pontos que me decepcionaram, quero falar sobre o que me surpreendeu.

Cecília Mouta conseguiu criar uma história muito tocante. Abordando temas como amizade, luto, escolhas difíceis, amadurecimento e a importância de viver o presente, a autora leva o leitor a pensar e repensar diversas vezes sobre como estamos agindo diante das situações da vida.

Com uma narrativa fluida e uma leitura fácil, o leitor embarca num mundo apresentado na visão de uma menina de 8 anos e seguimos com ela, enfrentando situações diversas. Pelos temas abordados, nos vemos diante de momentos bem tristes e até desesperadores. Como o livro é em primeira pessoa, sentimos tudo junto com o personagem. Os personagens passam por acontecimentos que mudam drasticamente suas vidas e Izzy (nossa protagonista narradora) nos leva a refletir bastante sobre amadurecimento e sobre o presente.

De uma forma sensível, a autora questiona o leitor sobre como estamos valorizando os momentos mais importantes de nossas vidas e sobre como estamos vivendo o tempo presente. É realmente tocante e me vi por diversas vezes pensando sobre minhas reações às adversidades da vida. Me surpreendi muito com isso, pois uma leitura leve e simples, conseguiu me fazer pensar muito.

Como falei no início da resenha, algumas coisas me decepcionaram. Uma das coisas que me incomodaram bastante foi a narração. O livro em primeira pessoa, na visão de uma menina de 8 anos tende a ser infantil (e não foi isso que me incomodou), o que seria o correto, mas em diversos momentos, Izzy tem pensamentos e diálogos muito maduros (e até complexos demais) para uma criança e fiquei na dúvida se realmente os fatos foram narrados por uma criança até isso ficar bem claro no livro. Faltou um pouco de equilíbrio nesse aspecto por parte da autora.

Outra coisa que me incomodou bastante foi o excesso de descrições. Na verdade, achei que houve muita divagação nos pensamentos da protagonista, coisas que não fazem diferença para a história e isso deixou a leitura um pouco maçante (para mim). Demorei mais do que o normal para concluir o livro por conta disso. Na segunda metade da história isso muda um pouco e a leitura se torna mais fluída.

Sobre a trama, – apesar de num primeiro momento eu crer que o foco seria nos sonhos de Lil e na amizade dos quatro amigos – achei a proposta da autora muito boa. A mensagem que ela passa para nós leitores é muito importante. Existem diversos momentos tocantes e sensíveis, que tocaram de verdade o meu coração, me fazendo sentir a dor dos personagens e o sentimento de urgência, só que, por ter sido construído de uma maneira bem simples, o “grande mistério” fica bem claro (pelo menos pra mim) antes do momento da revelação. Infelizmente eu já esperava os acontecimentos finais e a reviravolta não foi tão impactante como eu esperava e isso me decepcionou porque iniciei a leitura com grandes expectativas.

Apesar de todas as coisas que me incomodaram, eu recomendo a leitura. A autora soube dosar muito bem os momentos dolorosos e mais difíceis com situações engraçadas que dão um ar de leveza ao enredo. Os temas abordados são bem pesados, mas vistos com olhos de uma criança, o peso se torna mais leve e a esperança é que move as atitudes dos personagens.

“É Inverno” é aquele livro tocante e simples, que carrega uma mensagem forte dentro de suas 346 páginas. Apesar de meus sentimentos contraditórios, recomendo a leitura para quem busca um livro leve e sensível, sem esperar uma história com revelações impactantes.

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