Resenha: As tumbas de Atuan de Ursula K. Le Guin (Ciclo Terramar)

Fantasia. Quando você está acostumada apenas com as trevas, a luz pode parecer errada e assustadora. Quando as trevas são idolatradas, a luz se torna o mal. Quando você desconhece o resto do mundo, sua realidade é a única verdade. Quando tiram o seu nome, você perde parte de si. Mas até a mais perdida das pessoas é capaz de encontrar seu próprio caminho. Tenar é prova disso.

Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados.
Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe.
Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia.
Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.
Finalista da Newbery Medal, que premia os melhores livros jovens de cada ano, As Tumbas de Atuan dá continuidade ao elogiado Ciclo Terramar com uma singela história que rompeu com os paradigmas de heroína quando foi lançada.

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Resenha

Quando este livro foi lançado, lá na década de 60, protagonistas femininas eram extremamente raras. Quando uma mulher aparecia nas histórias, ela sempre era a donzela indefesa, coitada sem poderes e sem voz, que existia apenas para ser salva pelo seu cavalheiro de armadura brilhante. Passividade é o termo que se aplicava perfeitamente para essas mulheres. Assim, Ursula K. Le Guin criou Arha, Suma Sacerdotisa dos Inomináveis, senhora de grande poder e ao mesmo tempo aprisionada a ele.

“Ué Milena, você não deveria estar falando sobre Ged, o Mago Gavião, já que é continuação da história dele?” Sim, amiguinho, o Ged aparece nessa história, mas ele está longe de ser o foco central. Em as tumbas de Atuan somos apresentados a Ahra, uma jovem que desde que nasceu foi considerada a reencarnação da Suma Sacerdotisa dos Inomináveis, e, assim que completou cinco anos de idade, foi levada de sua casa até o templo e oferecida aos poderes das trevas, poderes esses que ela passou a servir. Seu nome lhe foi retirado, ela agora era novamente Ahra, e assim seria até o final dos seus dias, quando retornasse em sua próxima vida.

Ela nunca duvidou de sua tarefa, sempre realizou o que se esperava da Suma Sacerdotisa dos Inomináveis. Conheceu cada curva das tumbas, prestou o culto, sempre manteve os lugares sagrados na escuridão as quais pertencia, até que o mago Ged chegou, e, pela primeira vez em anos a fez duvidar sobre sua função e seu lugar no mundo. Sobre sua liberdade, sobre ter poder, mas estar aprisionada a ele.

A liberdade é um fardo pesado e uma carga enorme e estranha para o espírito levar. Não é fácil. Não é um presente dado, mas uma escolha que se faz, e a escolha pode ser difícil. A estrada sobe em direção à luz, mas o viajante sobrecarregado pode nunca chegar ao fim.

Talvez as feministas não gostem da forma como Ahra conduziu as coisas. Talvez, elas esperassem uma protagonista que pegaria nas armas e partiria para a guerra. Mas temos que entender que, a escrita da Ursula é um reflexo da época, onde as mulheres eram mais passivas, e, apesar disso, eu gostei de como ela resolveu tudo. Como Ahra e Ged tiveram que unir forças para conseguir alcançar os objetivos que possuíam.

Amei a leitura. A escrita de Ursula me cativa a cada livro, e, este em particular é super fininho, tendo menos de 200 páginas, dá para ser devorado inteiro em uma única tarde se você tiver tempo e disposição. Um infantojuvenil gostoso de ler. E se você ainda não leu o livro anterior, pode ler esse sem medo. Ele não depende dos fatos do anterior para seguir sua história, mas é interessante você já saber quais caminhos o Ged trilhou para que chegasse até ali. Uma leitura que recomendo.

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Comentários

comments

  • Olá!
    Eu não me interessei muito pela premissa da série e por esse motivo no momento eu não tenho interesse em lê-la, todavia, sei que a série é ótima e altamente indicada por escritores renomados. Tenho uma amiga que AMA a série então, quem sabe futuramente eu dê uma chance.
    Ótima resenha!
    Abraços,
    Andy – StarBooks

  • Aline Furtado

    Olá!
    A história me chamou bastante a atenção, pois adoro fantasia. Mas faltou algo a mais para que despertasse meu desejo de ler. Mas uma coisa é fato, a protagonista parece ser uma personagem incrível, forte e determinada.
    Gostei dos pontos que você ressaltou na resenha e anotarei a dica para, quem sabe, ler futuramente.
    Beijos.

  • Oi, Milena
    Gosto do gênero fantasia, mas tenho lido bem pouco ultimamente. Acho que é a primeira resenha que leio desse livro. Apesar da premissa ser boa, só não sei se leria no momento, mas com certeza leria futuramente se tivesse a oportunidade. Sendo infantojuvenil, melhor ainda.
    Gostei muito da dica.

    Livros, vamos devorá-los

  • Não conhecia nada sobre esse livro, apesar de ter acompanhado o lançamentos, lendo a sua resenha despertou a minha curiosidade, quero saber um mais sobre a personalidade de Ahra, e como ela lida sendo sacerdotisa, gosto muito de fantasia que lida com o oculto. Dica anotada.

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