Resenha: Um Copo de Cólera de Raduan Nassar

Clássico. Intenso. Marcante. Terminei a leitura me sentindo tonta, confusa e cansada. O autor nos envolve numa teia de aranha eroticamente psicológica!

quatro flores

“… e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão a que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçados, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro.”

“O corpo antes da roupa”, afirma o personagem de Um copo de cólera ao narrar o que acontece numa manhã qualquer, depois de uma noite de amor, quando a aparente harmonia entre ele e sua parceira se rompe de repente. Tensa, contundente, a linguagem de Um copo de cólera alcança tal intensidade e vibração que faz desta narrativa uma obra singular da literatura brasileira, um clássico dos nossos tempos.

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Resenha

Bom, não tenho muito o hábito de ler livros clássicos. Não que eu não goste, mas geralmente os clássicos precisam de um pouco mais de tempo para serem lidos, apreciados e tempo sobrando é algo que não tenho no momento. Minha pilha de livros atrasados só aumenta, então preciso otimizar meu tempo. Porém,  coloquei uma meta de ler livros clássicos da literatura erótica para ver as diferenças existentes nesse gênero em nossa atualidade e Um Copo de Cólera está em minha lista.

Apesar do livro ser classificado como um clássico da literatura erótica, não o considero um livro erótico propriamente dito, ao menos não dentro dos padrões que estamos habituados atualmente. Posso dizer que esse é um livro psicológico, um erotismo psicológico que desperta no leitor uma sensação de envolvimento grande e uma entrega total aos sentimentos. É o mesmo que acontece em um momento de prazer, certo? Só que aqui o “prazer” está em se aprofundar nos pensamentos e sentimentos do personagem de uma forma que você não consegue largar. Me senti envolta em uma teia de aranha, um emaranhado eroticamente psicológico.

A narrativa do autor é intensa. Não tem paradas para o leitor poder respirar. É difícil respirar. Você se perde em meio a um turbilhão de sentimentos que começam de maneira sutil até chegar ao clímax da cólera depois de um fato totalmente bobo que envolve uma cerca viva e formigas. O texto também pode ter diversas interpretações em relação ao casal protagonista. Casal esse que não tem um nome e nem há a necessidade de ter. Infelizmente não posso comentar as minhas impressões nessa resenha ou será spoiler.

Enfim, esse meu primeiro contato com Nassar foi marcante. Apesar do livro ter poucas páginas ele é intenso. Tão intenso que terminei a leitura me sentindo tonta, confusa e cansada. O autor consegue passar todo o sentimento do personagem no decorrer  da narrativa. Sentimos a intensidade aumentando progressivamente até haver uma explosão da cólera. É magnífico como ele joga com as palavras!

Por ser um livro clássico, a linguagem pode não ser de fácil entendimento, mas eu recomendo muito essa leitura! Se você está em busca de uma leitura intensa, que vai dar um nó em sua cabeça, te fazer pensar e ainda assim não compreender como tudo aquilo acabou acontecendo, esse livro é pra você!

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