Resenha: A Caldeira dos Desígnios – Erik Nelson, o Apóstolo da Amazônia de A. J. Cruz

Fantasia Histórica. Uma leitura fascinante, que prende o leitor do começo ao fim. Rica em detalhes e história do povo brasileiro!

cinco flores

16 de outubro de 1891. Erik Nelson chega da América em Santa Maria de Belém do Grão Pará com o intuito de estabelecer um trabalho missionário no vale Amazônico. Paixão, determinação, espírito aventureiro, fé: chega a Belém solteiro, com 16 dólares no bolso, sem falar a língua portuguesa, sem o patrocínio de nenhuma denominação, sem preparo teológico, numa terra enriquecida pela exorbitante valorização internacional da borracha mas cheia de epidemias letais como a febre amarela, o tifo, a cólera. Paralela à saga de Nelson, o leitor encontrará aventura, amor e desacertos nas vidas de seres dessemelhantes às crenças do apóstolo, como a de um seringueiro fugitivo, uma tribo completamente isolada da civilização, a família de um riquíssimo seringalista, o cônsul americano no Pará e sua esposa. Estes caminhos paralelos se encontrarão oportunamente com o do missionário, que se torna o umbigo de uma teia tecida prodigiosamente.

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Resenha

Eu amo fantasias históricas e é a primeira que leio ambientada no Brasil! Quando o autor me procurou para apresentar o seu livro, não imaginei que fosse me deparar com uma história tão envolvente.

Estamos no ano de 1891, na cidade de Belém do Pará. Nosso protagonista é Erik Nelson, um missionário Batista que atendendo ao seu chamado, sai dos Estados Unidos para se aventurar numa terra desconhecida, sem saber falar uma palavra do idioma e com apenas 16 dólares no bolso. Confiando completamente em seu “patrão”, Erik decide embarcar nessa aventura, mesmo sem ter patrocínio algum de nenhuma denominação.

Por si só a saga de Nelson já é completamente envolvente, mas acompanhamos de forma paralela, o desenrolar da vida de outros personagens que são apresentados na história e que em algum momento acabam cruzando seu caminho com o do missionário. Cada núcleo de personagens foi muito bem trabalhado e desenvolvido. São culturas e costumes completamente diferentes e é fascinante conhecer esses mundos tão diferentes. De índios que vivem isolados na selva amazônica, passando por ribeirinhos a pessoas de outros países com uma cultura riquíssima e completamente diferente da nossa.

O livro é narrado em 3ª pessoa com um narrador onisciente e muito curioso. O enredo é rico em detalhes, com descrições minuciosas de ambientes, costumes, comidas e culturas. Os detalhes são tão ricos que por diversas vezes me vi salivando e desejando estar diante das mesas provando as comidas típicas do Pará, ou até mesmo as indígenas (tirando os bolinhos de tanajura!), americanas, suecas, irlandesas, etc. Sim, sempre tem alguém sentado à mesa nesse livro…

O autor utiliza um vocabulário mais rebuscado, formal, e percebi também o uso de palavras regionais. Achei isso fantástico, pois a ambientação ficou perfeita! Com certeza esse livro vai agradar muito àqueles leitores que gostam de palavras mais formais. É também uma ótima fonte de aprendizado para palavras não tão usuais nos dias atuais.

Minha experiência com esse livro foi singular. Fiquei extremamente feliz ao ler algo que se passa em meu país, conhecer mais da história de nosso povo e acima de tudo por ele abordar um tema que gosto muito, o cristianismo. Não, esse não é um livro religioso antes que você pense isso. Claro que ele vai falar sobre o cristianismo já que nosso protagonista é um missionário…

No contexto histórico, o livro fala sobre a chegada dos missionários aqui no Brasil, a fundação da Primeira Igreja Batista do Pará e toda a obra missionária que foi desenvolvida aqui na época. Em paralelo, também aborda sobre a predominância da igreja católica, a queda da monarquia, abolição da escravatura e a chegada da República, trazendo com isso a liberdade religiosa no país.

Apesar de não ser um livro religioso, o autor aborda o tema com muito conhecimento de causa. Aqui no Brasil temos pouquíssimos romances cristãos e a predominância do gênero são livros doutrinários. Esse é um livro que super recomendo para quem tem curiosidade em saber como foram os percalços dos primeiros missionários aqui no Brasil e para quem gosta do tema. Vale a pena ler!

Tem muitos pontos que eu poderia abordar na resenha, mas ela  ficaria muito extensa… Contudo, preciso dizer que essa é uma leitura que te prende. O autor vai intercalando as narrativas entre os diferentes núcleos existentes e fechando os capítulos de uma forma que prendem o leitor numa teia e você não consegue sair dela… As paradas estratégicas fazem o leitor querer avançar com a leitura para saber o que vai acontecer em seguida com o personagem.

E por falar em personagem, me apaixonei por Erik e Ida (esposa dele). Ela é uma mulher fascinante, tanto quanto ele!

O livro tem uma continuação que o autor já está escrevendo e não vejo a hora de ter o próximo volume em minhas mãos para continuar acompanhando as aventuras da família Nelson, dos índios e dos outros personagens da trama!

Livro mais do que recomendado para você que gosta de fantasia histórica!

Esse post é um publieditorial. Minha opinião é sincera e não sofreu interferência do autor ou editora.

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