Poesia: Oceano (Mírian Monte)

Enigmática como o oceano, uma das minhas mais novas poesias.

Oceano

Queres o oceano?
Não te enganes:
Ninguém o domina
Sabes o azul cativante?
Ora é transparente,
Ora é cinza.
Debaixo da maré morta
Há correntes indecisas,
Ondas muito revoltas,
Um balançar que hipnotiza.
Há naufrágios esquecidos
E Paixões adormecidas
Há viagens, há encontros
Travessias, despedidas.
Pode ser estudado,
Pode deixar-se navegar,
Mas uma vez desafiado,
Sua fúria surgirá.
Não te enganes:
Ninguém o domina
Sabes o azul cativante?
Ora é transparente,
Ora é cinza.
Desvendar seus mistérios
Todo pescador assim deseja
E se lhe forem devotos
Peixes chegarão à mesa.
E nela contarão histórias,
Aventuras, epopeias, proezas;
No centro, haverá uns copos
Uma garrafa, já aberta,
De vinho, whisky, cerveja.
Pensando bem,
Melhor que seja de aguardente,
Porque, quando dele distante,
A dor será pungente.
Estejas preparado, consciente:
Haverá ressacas ,
Abstinência,
Quando tudo terminar.
Sua Intensidade e horizonte
São feito ópio, viciantes
E Até bons navegantes
À deriva vão ficar.
Mas Se teus riscos aceitares
Serás bem recompensado,
Com infinitas riquezas
E ficarás extasiado,
Inebriado:
Indescritível sua beleza;
Da bruma, receberás um beijo
E da brisa, delicadeza.
Muitos querem o oceano,
Poucos sabem navegar.
Se com ele também sonhas,
Faço questão de avisar:
Queres o oceano?
Não te enganes:
Ninguém o domina.
Sabes o azul cativante?
Ora é transparente
Ora é cinza.

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