Resenha: Noite sobre as águas do Ken Follet

Romance histórico. Quando estoura a guerra entre a Inglaterra e Hitler, vamos acompanhar o último voo comercial a sair do país. Vários personagens com histórias distintas que se encontram e tem suas vidas cruzadas dentro do avião de luxo Clipper.

cinco flores

Setembro, 1939. Poucos dias após o Reino Unido declarar guerra à Alemanha, um enorme hidroavião está prestes a partir da costa sul da Inglaterra. A aeronave mais luxuosa do mundo tem como destino Nova York, no que deve ser o último voo civil a sair da Europa antes do conflito.
A bordo dela encontram-se tanto a nata da sociedade quanto a escória da humanidade. Contudo, não é apenas a guerra que motiva os passageiros a deixar o continente: eles também querem se distanciar do próprio passado.
Confinados por trinta horas em meio a todo o conforto, porém numa época em que voar ainda é um empreendimento arriscado, eles veem a travessia do Atlântico se tornar uma viagem de crescente angústia, com perigos inesperados que os conduzem a uma tempestade de violência, intriga e traição.
Em Noite sobre as águas, Ken Follett exibe mais uma vez sua escrita magistral ao narrar as histórias dos mais diferentes personagens e fazê-las colidir neste emocionante voo cinco estrelas.

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Resenha

Meu primeiro contato com o Ken Follet foi através do calhamaço Mundo sem fim, onde de forma brilhante nós acompanhamos a vida de alguns personagens, todas as tramas de um pequeno vilarejo de mercadores para sobreviver aos anos e a péssima gerência imposta pela Igreja. Ele me ganhou naquelas mais de mil páginas, e agora, estou ainda mais apaixonada.

Em Noite sobre as águas, Follett retorna de forma brilhante para nos contar um pouco sobre histórias de pessoas que até a primeira vista não possuíam motivos nenhum para estarem juntos no mesmo teto, mas que encontram-se a bordo de um hidroavião de luxo rumo a Nova York. Alguns estão fugindo da guerra, outros estão fugindo de algumas outras pessoas, mas todos eles estão assustados com a travessia, e com o que os aguardam em NY.

São muitas pessoas a bordo do Clipper, mas entre tripulantes e passageiros, a narrativa é focada em alguns personagens e através deles podemos acompanhar todo o desenrolar da trama.  O drama pessoal de cada um: uma adolescente que não quer deixar o país, quer servir na guerra, mas é arrastada pelo pai fascista a um novo continente junto com o resto da família; um jovem ladrão que não quer ir parar na cadeia, e rouba um passaporte para fugir; uma esposa negligenciada que decide fugir com o amante para encontrar a felicidade; uma empresária que foi traída pelo irmão e tenta de todas as formas chegar a tempo de uma reunião e impedir que o legado do seu pai seja vendido; o engenheiro do avião que tem que cumprir ordens e por todos do avião em risco se quiser ver novamente sua esposa sequestrada. Varias figuras, várias peças nesse tabuleiro de xadrez que vão se interligando e nos envolvendo em suas vidas.

Follett possui um dom único de prender nossa atenção e nos dividir. Eu não sabia para quem torcer, ou o que esperar da história. Fui pega no meio dessa viagem e me senti a bordo do Clipper junto com todos os personagens, sentindo na pele seus dramas e medos. O mais legal que acho na escrita do autor é que não existem vilões e mocinhos, existem humanos que cometem erros, se arrependem, erram de novo e tentam sempre fazer o melhor em todas as situações. Follett é mestre em descrever a natureza humana, o que facilita a conexão leitor-personagem.

Uma obra única que nos conta sobre um voo real, sim, existiam Clippers e eles eram bem populares, mas com fatos fictícios. Toda a trama e personagens foram criadas na cabeça do Follett, mas conseguimos sentir todo o realismo e tensão da guerra eminente como se estivéssemos lá. Um livro brilhante, uma leitura incrível que eu recomendo com total certeza!

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