Resenha: Eu te darei o sol de Jandy Nelson

Drama. As flores, as árvores, os mares, o céu. Um livro que vai dar tudo para ti, inclusive o sol, para que você seja tudo dele.

quatro flores e meia

Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.

Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

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Resenha

Existem histórias que já nascem com o poder de tocar as pessoas, elas te arrebatam desde a primeira página. E, há aquelas histórias que vão te cativando a cada capítulo, vão moldando seus sentimentos a cada palavra, até chegar o momento onde você quer abraçar os personagens e dizer que tudo ficará bem, afinal, eles são um pouco de você, e, você de certa forma se sente um pouco eles. Eu te darei o sol se enquadra no segundo tipo, vai chegando de mansinho até você achar que cada célula do seu ser faz parte da história também.

Temos dois personagens principais e narradores: Noah e Jude. Eles são irmãos gêmeos, e, como sempre acontece entre irmãos, acabam competindo pela atenção dos pais. Jude claramente é a preferida do seu pai, enquanto Noah é o preferido da mãe. A narrativa é desenvolvida em dois tempos: temos a visão de Noah, quando ele e Jude possuíam 13 anos, e temos a visão de Jude, quando ambos possuem 16. Nesse espaço de três anos, muitas coisas aconteceram, e de inseparáveis, os gêmeos agora malmente se falam.

“Como sou capaz de ver as almas das pessoas às vezes, ao desenhá-las, sei o seguinte: a mamãe tem uma enorme alma de girassol, tão grande que mal sobra lugar para os órgãos. Jude e eu temos uma alma em comum que compartilhamos: uma árvore com as folhas em chamas. E o papai tem um prato de larvas como alma.”

Noah aos treze anos é um jovem introspectivo. Vive em meio aos seus desenhos e paletas de cores. Quase não possui amigos, e vive a sonhar com cores e quadros. Mas o principal sobre Noah é que ele está se descobrindo, e nós vamos acompanhando seus dilemas e sofrendo junto com ele suas angustias.

“(…) Penso no que a psicóloga me disse, que eu era uma casa na floresta, sem janelas nem portas. Sem jeito de entrar ou sair, disse ela. Mas ela estava enganada, porque paredes desabam.”

Já a Jude de 16 anos é um choque para nós: aquela garota antes extrovertida que adora se divertir e emanava uma aura de alegria ao seu redor, tornou-se uma jovem reclusa cujo maior desejo talvez seja se tornar invisível. Ela ingressou no colégio ao qual seu irmão sonhava entrar, mas não conseguiu. Ela trabalha com esculturas, apesar delas não saírem perfeitas. Não sabemos o que houve, mas ela e o irmão não se falam mais, e, ela sente muita culpa e remorso sobre coisas do passado.

“(…) Talvez algumas pessoas simplesmente tenham sido feitas para estar na mesma história.”

Todos os personagens do livro possuem medos, sonhos, cometem erros, e, bem, são humanos. São como eu, são como você, e isso, ao meu ver, foi um dos fatores que tornou este livro totalmente cativante.

Eu te darei o sol foi aquele livro difícil de desapegar. Terminei a leitura e fiquei um bom tempo pensando sobre o livro, e, bem, sobre a minha própria vida. Vai parecer clichê, mas livros nos mudam, existem histórias que possuem sua hora exata para entrar em nossas vidas, e a Jandy Nelson parece ter escrito esse livro sob encomenda para minha atual fase. Um livro lindo e cativante ao seu próprio modo. Uma leitura que recomendo com uma caixa de lenços de papel na mão.

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