“O professor” de Cristóvão Tezza (Romance brasileiro)

O professor é o aguardado novo romance de Cristovão Tezza, autor do prestigiado O filho eterno, título editado em diversos idiomas, vencedor dos mais importantes prêmios literários do país e escolhido pelo Financial Times como um dos melhores livros estrangeiros publicados no Reino Unido em 2013. Com refinado domínio da narração, Tezza nos apresenta o professor Heliseu, que, aos 70 anos, se prepara para receber uma homenagem da universidade à qual dedicou a sua vida.

Sinopse

livro_kegrHoO MAIS MADURO E AGUARDADO ROMANCE DE CRISTÓVÃO TEZZA

O professor Heliseu será homenageado por uma carreira exemplar na universidade à qual dedicou a maior parte de sua vida. Enquanto prepara o discurso de agradecimento — justo ele, tão acostumado a transformar assuntos espinhosos em grandes aulas — é tomado por uma sucessão incontrolável de memórias e revisita momentos nem sempre felizes de sua vida: a convivência com o pai rígido; a morte da mãe, o tempo no seminário; o casamento com Mônica; o relacionamento conturbado com o filho; a paixão pela misteriosa Therèze. As lembranças se cruzam com a história do Brasil, desde o regime militar aos governos mais recentes, e o acerto de contas de Heliseu com seu passado transforma-se também no acerto de contas de um país com sua história.

Aqui é realizada a proeza de se aliar pleno domínio dos recursos narrativos a um instigante enredo que não deixa pontas soltas, intrigando o leitor até o ponto final. Com o lançamento do memorável O filho eterno, Cristovão Tezza tornou-se um dos mais célebres autores brasileiros. E O professor é um romance destinado a também se atrelar ao nome de seu criador: Cristovão Tezza, autor de O professor.

Ficha Técnica

Título: O professor
Autor: Cristovão Tezza
EAN: 9788501102126
Gênero: Romance brasileiro
Páginas: 240
Formato: 14 x 21 cm
Editora: Record
Preço: R$ 32,00
Link: Skoob | RecordComprar (Pré-venda)

Lançamento Previsto para 03 de Abril

Leia um Trecho

Acordou de um sono difícil: sobre algo que parecia um leito, estava abraçado ao inimigo, que tentava aproximar os lábios dos seus. Não quis ser ríspido, entretanto, empurrá-lo para longe, como seria o óbvio, talvez agredi-lo com um soco; apenas desviou o rosto, dizendo algo que agora não conseguia mais ouvir, na claridade da manhã. Mas eram movimentos gentis, ele percebeu; tentava afastar-se dele com delicadeza, como quem desembarca de uma cama em que a mulher dorme e não deve ser acordada. O inimigo: sim, ele imagina que teve um, durante a vida inteira, e agora ele vinha assombrar até seus sonhos, com sua proximidade pegajosa. Ficou intrigado, no gelo de quem acorda, com o fato de não se perturbar com a evidente sugestão sexual, aqueles lábios envelhecidos quase tocando os seus, uma imagem tão forte que não conseguiria esquecê-la, não esqueceria jamais, ele se assombrou, como se tivesse um interminável futuro pela frente, relembrando o sonho que viveu em 1952, criança, caindo de um desfiladeiro e salvando-se com a força de um grito – a mãe veio velá-lo, e lembra-se nitidamente daquela mão protetora nos cabelos, mais de 60 anos atrás. Jamais passou a mão nos cabelos de seu filho, mas os tempos eram outros, mais duros – ou apenas ele é que sempre se imaginou uma pessoa dura. Ora – e ele sacudiu a cabeça, voltando ao início. Quanto tempo? Setenta – e olhou os dedos, movendo-os lentamente, sentindo a breve dor que acompanhava os gestos ao amanhecer. Não importa. Chegando aos 71, ele corrigiu a si mesmo. A imagem da queda permaneceu, e era como se novamente caísse, o vazio no peito, a sombra do pânico, a montanha-russa na alma. Tudo é química, disse em voz alta em defesa, tudo é química, esses comprimidos, ele acrescentou, a voz baixinha agora, que ninguém ouvisse, tudo é química, eu sou vítima desses experimentos em pó em forma de comprimidos – e enfim sorriu, como se a simples explicação suprimisse toda a cadeia de desconcertos do amanhecer.

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